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Copa Intercontinental: Mundial ou apenas um “amistoso oficial” entre Europa e América do Sul?

Conheça a história da Copa Intercontinental e saiba se o histórico embate entre Europa e América do Sul é apenas um “amistoso oficial” ou é, de fato, Mundial.

A Copa de Mundo de Clubes da FIFA está chegando e com ela uma pergunta relativamente polêmica: os clubes que venceram a Copa Intercontinental podem ser considerados campeões mundiais? Este questionamento divide torcedores, especialistas e gerações de apaixonados pelo Futebol há mais de 60 anos.

Como você pode imaginar, a resposta varia de acordo com quem responder, já que cada torcida tem uma opinião diferente do torneio — que, além de não ser organizado pela FIFA, contava apenas com representantes da Europa e da América do Sul.

Neste contexto de unificação de torneios não organizados pela FIFA cheio de idas e vindas, preparamos este especial sobre a Copa Intercontinental. Ela é Mundial ou apenas um “amistoso oficial”? Explicaremos melhor tudo o que você precisa saber sobre mais de seis décadas de história. Vamos nessa?

O que foi a Copa Intercontinental?

A Copa Intercontinental de Clubes foi um torneio disputado entre os campeões da Libertadores e da Liga dos Campeões da Europa pelo título de campeão do mundo. Disputada entre 1960 e 2004, a competição também é conhecida como Copa Europeia/Sul-Americana e Copa Toyota e é reconhecida como Mundial — mesmo sem o envolvimento da FIFA na organização.

Se você já leu nosso especial sobre o Mundial de 2000, a confederação máxima do Futebol até sugeriu a criação de um torneio dessa magnitude no início do Século XX. Apesar de ter focado suas atenções às competições de Seleções, o interesse neste tipo de competição era real — embora a organização tenha ficado nas mãos de outras entidades.

No dia 8 de Outubro de 1958, o então presidente da CBD (hoje CBF) João Havelange anunciou a criação da Copa dos Campeões da América (que se tornaria a Libertadores) e da Copa Intercontinental — que seria uma partida entre o campeão da América do Sul contra o vencedor da Liga dos Campeões da Europa.

Organizada por UEFA e CONMEBOL e chamada de Mundial de Clubes por torcedores de imprensa desde sua criação, a Copa Intercontinental foi jogada entre 1960 e 1979 com duas partidas — uma no estádio de cada equipe.

Apenas dois anos não tiveram o torneio: Bayern de Munique e Independiente se enfrentariam em 1975 e Liverpool e Boca Juniors jogariam o torneio em 1978, mas a falta de espaço no calendário inviabilizou ambas as edições. Além disso, o interesse dos campeões europeus no torneio não era o mesmo dos representantes da CONMEBOL — com cinco edições contando com a desistência dos vencedores do torneio da UEFA e, por isso, o vice-campeão da Copa dos Campeões era convidado.

Por isso, até se dizia que a competição seria extinta depois de 1979. Isso não aconteceu porque a Toyota fez uma proposta de patrocínio, com a Associação de Futebol do Japão passando a ajudar a organizar o torneio — que mudou de nome Copa Europeia/Sul-Americana Toyota (ou Copa Toyota para os mais íntimos).

A partir de então, o torneio seria disputado em partida única e em campo neutro: o Estádio Olímpico de Tóquio, na capital do Japão. Apenas as últimas três edições foram disputadas em outra sede, o Estádio Internacional de Yokohama — também em território nipônico.

Depois da FIFA organizar seu próprio Mundial de Clubes em 2000, que contava com as confederações de todos os continentes. Já se debatia uma fusão das duas competições e, por questões contratuais, isso aconteceu a partir de 2005 — embora esta frase seja acompanhada pela nossa amiga “controvérsia”.

A Copa Intercontinental é reconhecida como Mundial?

Se você procurar por conteúdos no próprio site da FIFA, verá que os campeões da Copa Intercontinental são chamados de campeões mundiais. Isso significa que podemos encerrar esta parte do texto? Muito pelo contrário, já que este é uma nomenclatura simbólica e as únicas competições “seguras” neste sentido são as organizadas pela própria confederação — e, para ela, “o verdadeiro confronto mundial de clubes”.

Só que tanto a Copa Intercontinental quanto a Copa Europeia/Sul-Americana sempre foram consideradas torneios oficiais em âmbito confederativo, sendo consideradas títulos oficiais pela UEFA e pela CONMEBOL — e você já deve imaginar que são conquistas chamadas de título mundial, né?

Além disso, o então presidente Joseph Blatter declarou em 2000 que o Corinthians é o primeiro clube campeão mundial. Esta posição foi reforçada pelo mandatário em 2006, em entrevista coletiva antes do Mundial de Clubes de 2006 e uma exposição no Mundial de 2011 ressaltou o Timão como o primeiro campeão do mundo.

No entanto, o debate ganhou novos argumentos em 2013, quando o Secretário Geral da FIFA disse que os campeões do finado torneio são, de fato, campeões mundiais. Segundo ele, mudanças de formato são normais e a “o importante é que uma competição sempre deixa um campeão, e isso fica para a história”.

Para encerrar o debate de vez, o presidente da CONMEBOL Alejandro Domínguez solicitou em Junho de 2017 que a FIFA reconhecesse a Copa Intercontinental como Mundial oficialmente para encerrar o debate — o que aconteceu. Desde então, os vencedores da competição são chamados de Clubes Campeões Mundiais (ou “Club World Champions") e ela foi fundida ao atual Mundial de Clubes.

Por que a Copa Intercontinental pode não ser considerada Mundial?

Se a FIFA já reconheceu a Copa Intercontinental como Mundial e fundiu o torneio ao Mundial de Clubes, por que nem todo mundo concorda? A seguir, reunimos os principais argumentos usados:

“Apenas sul-americanos e europeus jogavam o torneio”

O Mundial de Clubes da FIFA fez algo considerado muito importante para um torneio com abrangência global: deu a oportunidade a equipes de todos os continentes, não só da Europa e da América do Sul. Apesar destes serem os únicos continentes com Seleções campeãs da Copa do Mundo, não se deve ignorar a importância de outras regiões na de formação craques e equipes relevantes.

E por que apenas UEFA e CONMEBOL tinham equipes neste Mundial que não era organizado pela FIFA? Confederações como a CONCACAF e AFC foram criadas apenas na década de 1960 e até solicitaram a inclusão no torneio, embora o pedido não tenha sido aprovado pelos organizadores — e a FIFA não participava deste processo.

Esta é uma crítica justa e um campeonato mundial deve, por teoria, abranger todos os continentes. A FIFA corrigiu esta injustiça a partir da edição de 2000, trazendo todas as confederações para a disputa. Mesmo assim, a própria entidade reconhece a Copa Intercontinental como Mundial.

“Nem sempre o campeão enfrentou o vencedor da Liga dos Campeões”

Seis edições da Copa Intercontinental não contaram com o campeão da Liga dos Campeões, sendo substituídos pelo segundo colocado do torneio da UEFA. Panathinaikos, Juventus, Atlético de Madrid, Borussia Mönchengladbach, Malmö e Milan jogaram o torneio sem terem conquistado a Europa na mesma temporada.

Falando de resultados, as equipes da CONMEBOL levaram a melhor: cinco títulos para a América do Sul e apenas um para a Europa. Apenas os Colchoneros foram campeões ao derrotarem o Independiente por 2 a 1 no placar agregado em 1974.

Talvez a história fosse diferente se Nottingham Forest, Liverpool da Inglaterra, Bayern de Munique, Ajax e Olympique de Marselha tivessem enfrentado Nacional do Uruguai, Independiente, Boca Juniors, Olimpia e São Paulo? Obviamente, mas estas equipes enfrentaram clubes qualificados e entre os mais fortes da história — algo que a própria FIFA concorda.

“Fui campeão mundial e meu rival não”

O Santos de Pelé está entre os times mais icônicos da história do Futebol e venceu a Copa Internacional em 1962 e 1963 sobre o Benfica de Eusébio e o Milan de Cesare Maldini. Em 2011, no entanto, o Peixe perdeu a decisão do Mundial de Clubes para o Barcelona de Messi por 4 a 0 e nunca foi campeão de um campeonato mundial organizado pela FIFA.

Outro clube que passou por situação semelhante é o Grêmio, que derrotou o Hamburgo de Ernst Happel em 1983 na Copa Intercontinental. Em 2017, o Imortal perdeu a decisão do Mundial da FIFA de 2017 para o Real Madrid de Cristiano Ronaldo por 1 a 0.

O que os dois times têm em comum? Corinthians, São Paulo e Internacional conquistaram o Mundial de Clubes da FIFA e alguns grupos de torcedores fazem piadas para desmerecer as conquistas dos rivais — afinal, Santos e Grêmio seriam campeões intercontinentais, não mundiais. Esta narrativa possui certa fragilidade, principalmente porque a própria FIFA unificou a Copa Intercontinental com o seu próprio torneio.

“Europeus não se importavam tanto como o Intercontinental”

Se você perguntar sobre a Copa Intercontinental para um torcedor de qualquer clube que venceu o torneio, dificilmente verá o mesmo entusiasmo nas palavras de um sul-americano e um europeu. E isso se deve ao abismo financeiro e diferença técnica entre equipes dos outros continentes.

Para o torcedor de uma potência europeia, a Liga dos Campeões reúne as melhores equipes do planeta. Isso torna o título da competição da UEFA a definição de auge de qualquer clube — independentemente do país.

Enfrentar uma equipe teoricamente menos qualificada e sem o peso da rivalidade não empolga tanto os europeus, embora as equipes do exterior sempre sejam tratadas com respeito quando se fala da Copa Intercontinental.

Vale ressaltar que torcedores de equipes da CONMEBOL costumam encarar os confrontos de confederações que não disputavam o torneio da mesma maneira. Derrotas como a eliminação do Internacional para o Mazembe no Mundial de 2010 e do Atlético-MG para o Raja Casablanca em 2013 são tratadas como vexame por torcedores — e do outro lado está um time forte e tradicional, mesmo sendo de outra região e tendo poderio financeiro reduzido.

“Ser campeão continental vale mais do que esse amistoso oficial”

Outra narrativa que se alastrou nas redes sociais é o fato da Copa Intercontinental ser mais um amistoso oficial do que um torneio levado a sério por todos os envolvidos. Já falamos sobre este ponto anteriormente, embora a alcunha de “amistoso oficial” tenha sido associada à competição nos últimos anos por alguns torcedores.

A América do Sul não conquista o Mundial de Clubes desde 2012, quando o Corinthians derrotou o Chelsea por 1 a 0. Esta seca de 13 anos é a maior do continente desde que torneios com essa alcunha e seis edições nas quais as equipes sul-americanas não foram eliminadas antes da decisão — o que decepcionou alguns.

Não à toa, alguns torcedores e jornalistas passaram a repetir a visão dos europeus em relação ao torneio: vencer a Libertadores é uma conquista mais importante do que o “torneio amistoso da FIFA”, que seria a cereja do bolo — mas perder não é o fim do mundo.

Vale ressaltar que a conquista de um título mundial sempre estará acima de um troféu continental, nacional ou estadual em questão de hierarquia da própria FIFA. Ter uma sala de taças repleta de glórias não é o que define a grandeza de um clube — já que o mais importante é disso tudo é a conexão com a torcida e as histórias que o esporte ajuda a escrever.

Afinal, o Futebol tem certa subjetividade e cada torcida entende o valor de uma vitória à própria maneira — seja coletivamente ou individualmente. Portanto, ter o Mundial da FIFA, apenas a Copa Toyota ou nem mesmo um título de Libertadores ou Champions League não é o que define a grandeza de um clube.

A atual Copa Intercontinental da FIFA não é Mundial?

Como o objetivo de tornar o Mundial de Clubes mais atrativo para europeus e resolver um problema histórico, a FIFA decidiu extinguir a Copa das Confederações e fazer a Copa Mundial de Clubes no seu lugar — contando com mais equipes e sendo disputada a cada quatro anos.

A partir de 2024, a Copa Intercontinental voltou sob a chancela da própria FIFA e mantendo o mesmo formato usado no Mundial de Clubes entre as edições de 2005 e 2023. Ou seja: com o campeão de cada confederação e o representante do país sede. E sim, valendo o título de… campeão mundial.

Pode parecer confuso e vamos deixar você ainda mais em dúvida. Em 2024, a própria FIFA disse em seu site oficial que o Real Madrid disputaria sua décima primeira final de uma competição mundial de clubes da FIFA. Além disso, chamou a edição de 1992 do torneio de… Copa Intercontinental da FIFA.

Então sim, podemos dizer que a transformação do Mundial de Clubes na Copa Intercontinental da FIFA não mudou o fato da competição coroar um campeão mundial de maneira anual. E este é um pedido das confederações, com o objetivo de manter interesse no torneio anual e a competitividade.

E sim, o campeão da Copa do Mundo de Clubes da FIFA também poderá ser considerado campeão mundial. Será um título destinado a um grupo ainda mais seleto de clubes, já que a competição será realizada a cada quatro anos com mais equipes, maior competitividade e premiações colossais — começando por US$ 15,2 milhões pela participação e valores pagos por vitórias, empates e classificações, rendendo até US$ 125 milhões para o campeão.

Aposte na Copa do Mundo de Clubes na Blaze!

31 clubes de onze países possuem a honra de serem chamados campeões mundiais da FIFA — mesmo com certas polêmicas referentes à unificação de títulos de torneios não organizados pela entidade máxima do Futebol. E a partir de 15 de Junho, a Copa do Mundo de Clubes da FIFA definirá quem poderá dizer que conquistou o mundo da maneira mais difícil possível nos próximos quatro anos.

Mas antes de fazer qualquer aposta no Super Mundial da FIFA, lembre-se que a responsabilidade é ainda mais importante que aquela camisa da sorte ou outras superstições que os torcedores costumam ter. Lembre-se que, assim como o esporte, apostar é algo apenas para se divertir — não um investimento ou fonte de renda.

Por isso, lembre-se de estudar dados e estatísticas, além do desempenho de cada equipe antes de apostar. Além disso, jogar de maneira irresponsável e ignorar os riscos de cada mercado pode trazer consequências graves à sua saúde mental e financeira — impactando também quem você ama.

Estamos combinados? Então prepare-se para se emocionar com o maior torneio do planeta e aposte na Copa do Mundo de Clubes da FIFA 2025!